quarta-feira, 19 de setembro de 2012

DINHEIRO EM CAIXA

SE MINHA EMPRESA DÁ LUCRO, PORQUE NÃO TENHO DINHEIRO EM CAIXA?


Por: Edivan Júnior Pommerening

De sorte, essa é uma pergunta que muitos empresários se fazem. E com muita pertinência. Se eles colocarem lado a lado a Demonstração do Resultado do Exercício e o Demonstrativo do Fluxo de Caixa de suas empresas logo perceberão que lucro não necessariamente significa dinheiro em caixa (leia-se disponível: caixa e bancos). Entretanto, algumas medidas podem ser adotadas para, ainda que parcialmente, reverter esse quadro, pois um dos “bandidos deste filme” é o regime de apuração de receitas e despesas exigido pela Legislação do Imposto de Renda.

Existem dois regimes de apuração de receitas e despesas: por caixa e por competência. Sem se ater a conceitos técnicos, basicamente, o regime de caixa é aquele em que as receitas e despesas são contabilizadas apenas no momento em que são efetivamente pagas ou recebidas. Por outro lado, o regime de competência (exigido pela Lei do IR – Regra Geral), é aquele em que as receitas e despesas são contabilizadas no momento em que acontecem, independentemente de pagamento ou recebimento.

Neste sentido, quanto mais a empresa praticar vendas a prazo, e quanto maior for esse prazo, menos dinheiro ela verá no seu caixa. Isso porque pelo regime de competência essas vendas são contabilizadas no período em que acontecem e seu saldo figurará no Balanço Patrimonial como contas a receber. As vendas a prazo pressionam o caixa, uma vez que a empresa está financiando os seus clientes e, por conseqüência, depende de dinheiro de outras fontes para fazer girar suas atividades.

Outro ponto de concentração de recursos financeiros das empresas está nos estoques. Se eles são elevados em relação as suas operações significa que o caixa está sendo pressionado, visto que a empresa teve de angariar recursos para adquiri-los. Recursos estes que, se não foram decorrentes de suas atividades, estão onerados pela remuneração do capital exigida por quem os financiou, sejam os próprios fornecedores, sejam instituições financeiras.

Os investimentos em infra-estrutura e as amortizações de financiamentos também reduzem o saldo de caixa da empresa, entretanto, não figuram na sua demonstração de resultado, acarretando em “aumento” do lucro líquido. Enquanto os investimentos aumentam o saldo do Imobilizado da empresa, no Balanço Patrimonial, as amortizações de financiamentos diminuem empréstimos e financiamentos a pagar.

O efeito contrário acontece com a depreciação da estrutura física da empresa, por exemplo. Ela diminui o lucro, pois é subtraída das receitas, porém, como a depreciação é um custo que não requer desembolso financeiro, acaba por não figurar no Demonstrativo do Fluxo de Caixa e, sendo assim, é dinheiro que sobra no caixa da empresa. Embora chegará o dia em que essa estrutura física estará acometida de obsolescência, na maioria das vezes por fatores tecnológicos, e aí o empresário terá de atualizá-la.

Portanto, respondendo a pergunta que muitos empresários se fazem e que foi posta como título deste artigo, se a empresa dá lucro, mas não tem dinheiro em caixa, é muito provável que boa parte deste dinheiro esteja nas mãos dos clientes que compraram a prazo, nos armazéns e depósitos em forma de estoques, na máquina nova que foi paga com dinheiro do caixa, etc. Diante disso, toda a estratégia adotada pela empresa dever ser precedida de um estudo sobre a pressão que ela fará sobre o seu caixa.

Ter dinheiro em caixa permite ao empresário garantir o giro normal das atividades da sua empresa, principalmente em épocas de crise, onde os recursos financeiros são escassos e carregados de taxas de risco. Empresas com dinheiro em caixa tem maior poder de barganha e conseguem especular no mercado visando sua sustentabilidade. Elas podem se valer desta posição para auferir vantagens na compra de um concorrente, na aquisição de lotes de matérias-primas com preços atraentes, etc.

Neste contexto, conclui-se que para ter um caixa volumoso, os empresários precisam otimizar seu ciclo financeiro, reduzindo o prazo para recebimento das vendas, aumentando o prazo para pagamento de fornecedores, aumentando o giro dos seus estoques e fazendo investimentos com capital de terceiros para pagamento a longo prazo. Quanto maior o ciclo financeiro da empresa, maior o risco nas crises e maior a necessidade de capital de giro.

Edivan Júnior Pommerening é Auditor Interno da Cooperalfa de Chapecó-SC. Pós-graduado em Gestão Estratégica Empresarial.

Fonte: Informativo Eletrônico Proágil - Enviada pelo Autor.

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